segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Apito amigo?


Com o fim da trigésima primeira rodada o Cruzeiro ficou muito, mas muito próximo do título. Apenas um desastre tiraria esse título das mãos da raposa mineira, que pode confirmar o seu título com uma considerável antecedência caso vença os próximos dois desafios. Mas isso não minimiza, de forma alguma, o incomodo de todos em ver o Cruzeiro à frente. 


Agora somaram ao coro uma historinha de que o Cruzeiro está sendo ajudado nesse campeonato, algo que está totalmente fora da realidade do que tem acontecido até aqui. Cruzeiro foi muito mais prejudicado do que ajudado. O gol impedido contra o CAP, o penalti que não foi dado contra o Corinthians, claro, segundo a crônica esportiva paulista. Eu acho que o juiz errou sim na expulsão do Sueliton nesse último jogo, e concordo que no 11 contra 11 a historia PODERIA ser outra. Mas nada garante. Quem viu o jogo sabe que o Cruzeiro era superior, o Criciúma teve 6 minutos de bom jogo no final da etapa inicial, e aproveitaram bem os erros de marcação para marcar os dois gols da virada. (desconsidero o gol de falta porque foi muito bem cobrada, mas em um momento atípico).



Todos sabiam que o Cruzeiro voltaria forte para a etapa final, e que, no mínimo, arrancaria o empate. Mas, realmente, com a expulsão, o time pode fazer isso com enorme tranquilidade e, vejam bem, fez 3 gols, mesmo com o Criciúma totalmente fechado. O Fluminense perdeu em casa com 1 a mais desde a etapa inicial, para o Vitória. Foi uma rodada especialmente dura com um total de 6 expulsões. O erro ocorreu, sim, mas foi exatamente isso, um erro. A jogada foi rápida e o Willian cavou bem. Juiz não tem TV ali na hora para poder reavaliar seu julgamento, embora realmente dar o cartão, e não somente a falta, seja uma atitude meio caseira. Talvez o cartão no primeiro tempo pudesse ter sido evitado também, de forma que considero que a expulsão foi sim injusta.



Apesar do erro, entretanto, o Cruzeiro mereceu a vitória. Erros acontecem contra todos e sempre vão acontecer, até que a FIFA admita o uso de tecnologia. Até lá, vamos ver sempre os nossos times serem beneficiados ou prejudicados. O bom de um campeonato de pontos corridos é que essas coisas, erros pontuais, são minimizados. É claro que existem erros sistemáticos, e são esses que tem de ser investigados. Talvez mesmo para erros pontuais seja necessário algum tipo de punição, algo que force o arbitro a se preparar melhor, mas esse é um outro debate.


Querer creditar um eventual título Cruzeirense a erros de arbitragem é o mesmo que atribuir aos apagões do Independência no jogo contra o NOB o título do Atlético-MG na Libertadores. Eles foram pontuais, e aconteceram na mesma medida a favor e contra (eu, como torcedor, acho que ocorreram mais erros contra, mas não fiz uma análise detalhada). O Cruzeiro, se vencer, o fará por méritos próprios, por jogar bola bem, abrir uma vantagem em um campeonato extremamente disputado. Não tem como desmerecer essa campanha celeste!


Tão dizendo que se o jogador do Criciúma não tivesse sido expulso a história seria outra. Talvez, embora eu ache que o Cruzeiro tinha plenas condições de virar mesmo no 11 contra 11. Mas, enfim, é como dizem: "se vaca voasse chovia leite".

domingo, 22 de setembro de 2013

Pênalti pro Curintia


Essa imagem acabou se tornando bastante emblemática. Mais uma demonstração de má fé da imprensa do Eixo, vejam bem. Explico o porque: pra mim foi pênalti! E eu sou cruzeirense. Tá, eu sei, todo mundo reclamou, muita gente acha que não foi, e, no final das contas, tudo o que eu tenho a dizer é que esse lance foi discutível, mas dificilmente eu o classificaria como um 'roubo' do árbitro. Mas, então, porque eu estou colocando a mesma como uma demonstração de má fé da imprensa do Eixo? Ora, fazem parecer que esse foi o único lance polêmico do jogo, o que está bastante distante da verdade. Esse pênalti só se tornou duvidoso, discutível, e razão de inconformação da nação celeste por causa de todas as outras vezes em que a arbitragem foi tendenciosa nesse jogo. Por exemplo: existiram outros três lances que poderiam ter resultado em pênalti a favor do Cruzeiro, todos eles discutíveis e dois deles, na minha opinião, muito mais claros do que o pênalti sobre o Ronaldo. Isso fora a quantidade de faltas não marcadas e os impedimentos inventados pelos auxiliares, um deles impedindo o seguimento de uma jogada que muito provavelmente resultaria em gols. E olha que na época todos esses erros foram até abordados pela mídia de São Paulo, como podemos ver no vídeo abaixo:

  
                              

No final das contas, entretanto, a mídia resumiu todos os erros de arbitragem a um único lance capital, sendo esse, de fato, discutível (e, como eu disse, na minha opinião foi sim pênalti). Dessa forma, todos os outros erros foram minimizados e toda a revolta cruzeirense ficou parecendo choro desnecessário. E sabem o que isso nos custou? Nada mais, nada menos do o título de 2010! Terminamos o campeonato em segundo colocado, 2 atrás do Campeão Fluminense. O Corinthians, mesmo com todos os favorecimentos ao longo da competição, terminou em terceiro colocado.

E porque estou trazendo isso à tona, quase 3 anos depois? Ora, logo mais teremos um jogo contra o Corinthians, que, esse ano, figura a nona colocação, 19 pontos atrás da gente, que lideramos. Dificilmente o time paulista brigará pelo título, é uma diferença muito grande para ser tirada em 16 rodadas. O Corinthians vem de uma péssima sequência de 5 jogos sem vencer, alguns contra adversários bastante frágeis, como o Náutico, com quem empatou em casa. Já o Cruzeiro vem de uma avassaladora sequência de 8 vitórias, enfrentando adversários diretos ao título e apresentando um futebol convincente. Agora pergunte a qualquer cruzeirense se ele está confiante para o jogo. Todos consideram esse jogo muito difícil, acham o resultado incerto e preferem não cravar ma vitória. As razões, observem, não é a qualidade do rival, mas sim esse histórico bizarro de favorecimentos em detrimentos de clubes de fora do Eixo. O pior, mesmo em um ano em que o Corinthians não foi amplamente beneficiado esse temor existe.

Em 2005, em uma virada de mesa estarrecedor, vimos o Corinthians ganhar de presente um título nacional, arrancado das mãos do Internacional. Em 2009 vimos o Corinthians ser beneficiado diversas vezes e conquistando o título da Copa do Brasil. Na ocasião até mesmo o PVC, da ESPN, se revoltou com a sequência de favorecimentos.
                             
                                     

Infelizmente os favorecimentos ao Corinthians são uma constante na história recente do Campeonato Brasileiro. É natural que torcedores de outros clubes temam que eles voltem a acontecer, sobretudo em momento chave como o de hoje. E é muito triste que esse sentimento exista, tanto para os torcedores dos outros times quanto para os próprios torcedores do Corinthians, penso.

Para o jogo de logo mais, acredito ser possível vencer o time paulista, e acho que não veremos um favorecimento da arbitragem e, se virmos, talvez sejam fruto de erros, e não de uma intenção sistematizada e preponderada. Mas é lastimável que a situação tenha escalonado para um contexto em que todo e qualquer time que enfrente o 'Timão' tenha de conviver com o medo constante de ser prejudicado.


sábado, 21 de setembro de 2013

A "Mídia do Eixo" e seus delírios


Essa chamada para a crônica do jogo dentre Coxa e Fluminense foi o estopim que eu estava esperando para poder voltar a escrever aqui no blog. Impressionante o fato de que em um ano tão bom para o meu time do coração eu não tenha escrito muito por aqui, que não as previsões e leituras para o Brasileirão desse ano que fiz ainda em Maio (e que estavam até razoáveis). Mas, enfim, voltando em grande estilo, com o Atlético-MG campeão da Libertadores e o Cruzeiro em primeiro lugar disparado do Brasileirão, temos um ano que, até aqui, tem sido maravilhoso para o futebol de Minas Gerais, com seus dois principais clubes vivendo bons momentos. Mas não para por aí: se analisarmos a tabela vamos perceber que os times do Eixo estão distantes da briga pelas pontas, com a louvável exceção do Botafogo, vice-líder. O time da Estrela Solitária está, bem, bastante solitário no que diz respeito a seus conterrâneos, que figuram das partes intermediárias da tabela para baixo. São Paulo esse ano está ainda pior: Palmeiras na série B, e o time do estado mais bem colocado na tabela é o Corinthians, nono colocado. Notem que estou postando isso no início da vigésima terceira rodada, e tudo isso pode mudar. Mas distante como está do líder, Cruzeiro, é pouco provável que qualquer time de São Paulo possa brigar por título ainda esse ano.

Voltando à chamada do portal Globoesportes, me impressiona do eixo a capacidade da mídia de desmerecer, na cara dura, os times de fora de seus domínios. Chega a ser engraçado, de tão vergonhoso. O Fluminense continua sem perder, uma leitura possível para uma sequência de empates, enquanto o Coxa mantém série sem vitórias, uma outra leitura possível. Mas, na realidade, nenhum dos dois times perdeu ou ganhou. A palavra empate já implica nisso. Pior, o jogo foi no Maracanã e, pelo que me consta desde que eu comecei a acompanhar futebol, empatar fora de casa com um "dos grandes" foi sempre considerado um resultado positivo. Tá, talvez eu esteja exagerando em minha reação, mas na verdade isso é só uma introdução para o que eu realmente gostaria de falar aqui hoje: a mídia do Eixo adora desmerecer os feitos dos times de fora de seus domínios.

O Cruzeiro é o líder absoluto do campeonato, sete pontos à frente do segundo colocado. Tem apresentado um futebol convincente, fruto de um planejamento que vem desde o ano passado, com a política de austeridade da diretoria para levantar caixa e sanar os problemas financeiros do clube. Teve de se desdobrar quando perdeu seu principal jogador, o possível carro chefe do novo time que seria montado e, com o excelente dinheiro da sua venda iniciou a montagem de um elenco de sonhos, que nem o mais otimista dos cruzeirenses esperaria ver ainda esse ano. Pode parece exagero, mas depois de quase 3 anos longe de casa (o Mineirão) e com dois anos de performances vexatórias na principal competição nacional, é com muita alegria que vemos nosso time liderar a competição, com certa folga, e encaminhar um título que será muito bem vindo! Claro, não tem nada ganho, somos vacinados contra o espírito de já ganhei e tenho certeza que toda a torcida só vai comemorar quando o título for matematicamente garantido. Ejaculação precoce nunca mais!

Agora, como reage a mídia? Já vi inúmeras vezes jornalistas do Eixo falarem que o Campeonato esse ano esta muito fraco. Como assim está fraco? Temos um campeonato extremamente competitivo, como tem sido todos os anos, a diferença do décimo sétimo colocado Criciúma (primeiro na zona de rebaixamento) para o quarto colocado Atlético-PR (primeiro na zona de classificação para Libertadores) é de apenas 14 pontos! Temos diversos times com elencos respeitáveis, como Atlético-MG, Grêmio, Internacional e Corinthians, fora times que estão bem encaixados ou apresentando bom futebol, como o Atlético-PR, Goiás, Botafogo. Então campeonato bom é só quando temos vários times do Eixo nas pontas? O Campeonato é o mesmo, com 20 times, todos os anos. As vezes temos uma redução na qualidade técnica sim, sobretudo no meio do ano, mas isso ocorre todo santo ano. Ainda temos grandes craques internacionais jogando nos nossos gramados, como Ronaldinho, Seedorf, Forlán, Júlio Batista, Zé Roberto. A impressão que eu tenho é que não conseguem admitir que a campanha do Cruzeiro, fruto de intenso planejamento, é soberba. Temos a maior quantidade de pontos da história na vigésima segunda rodada. Temos apresentado um futebol de qualidade, com um grupo que consegue repor qualquer peça sem muita defasagem técnica ou tática. Mas, para a mídia bairrista do Eixo, isso só pode acontecer porque "está nivelado por baixo". Isso é um absurdo, sinceramente. Até dá pra se admitir torcedores de times rivais fazerem isso, mas jornalistas? É lastimável. O Corinthians tem praticamente o mesmo time do ano passado. Saiu o Paulinho, que era peça importante, mas e quanto aos jogadores que chegaram? Contrataram o Pato por 40 milhões de reais, quase o mesmo preço de todas as contratações do Cruzeiro juntas. Agora, paciência que o cara não renda o mesmo do que 15 contratações bem pensadas.

É um péssimo ano para os times do Eixo, é verdade. Mas isso, pra mim, é ótimo para o futebol brasileiro. Já são 9 anos vendo times do eixo vencer a liga nacional. Já passou da hora de alguém de fora vencer! E, se vencer, vai ser por competência, por qualidade e por planejamento. Que a mídia do eixo, bairrista como é, continue delirando e achando que o campeonato só é bom quando os times de Rio e São Paulo vencem. Pra gente isso não interessa, só queremos o caneco!


O campeonato segue em frente, ainda faltam 16 rodada, tempo o suficiente para que muita coisa mude. A vantagem cruzeirense é excelente, e o momento do time é bom, com muito potencial ainda para que possa evoluir. Que dê tudo certo e que consigamos terminar esse ano com o título. E com um ano maravilhoso para Minas Gerais.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Dois pontos perdidos

Então enfim aconteceu a estreia do Internacional no Campeonato Brasileiro. Jogo duro em Salvador diante do rubro negro baiano e ao final um empate que se mostrou razoável diante das circunstâncias do jogo. Mas se o empate se mostrou razoável qual o sentido do título do texto? A explicação é que o Internacional perdeu dois pontos na Bahia nesse sábado. Primeiro por não ter entrado em campo nos primeiros minutos de jogo e ter tomado dois gols em 11. É muito difícil correr atrás tendo dois tentos de desvantagem em tão pouco tempo de partida. Segundo por não ter forçado um pouco mais na segunda etapa para conseguir o terceiro gol. Em um campeonato de pontos corridos qualquer ponto faz diferença. Longe de querer menosprezar o adversário, era um jogo que dava para vencer, mas o colorado sofreu com algumas peças que não funcionaram e teve que se contentar com o 2x2.

Destaques Negativos
O goleiro Agenor se mostrou nervoso e na minha opinião deveria ter saído para dar um soco na bola no lance do segundo gol baiano. Não gosto de queimar jogadores e me julgo até muito paciente, mas o Rafael Moura até agora não rendeu nem um décimo do esperado, passou longe daquele centroavante dos tempos de Goiás e Fluminense, não sei o que acontece  visto que ele vem recebendo oportunidades e novamente não correspondeu.

Destaques Positivos
Fred jogou muito, abriu espaços, procurou o jogo, fez a belíssima jogada do gol do Forlán e no fim foi coroado com um belo lançamento do D’Alessandro onde só teve o trabalho de desviar do goleiro que vinha saindo, bela atuação do garoto. Quero exaltar também o poder de reação da equipe e a capacidade de reorganização do treinador Dunga, que diante de dois gols de desvantagem conseguiu reanimar o grupo que foi atrás da igualdade.

Conclusão
O jogo foi terrível para o Inter nos primeiros minutos, porém a reação da equipe acabou fazendo a diferença e o empate até que serviu, no entanto era um jogo que poderia ter nos rendido a vitória, que eu e todos os colorados esperamos que venha nesse meio de semana contra o recém-promovido Criciúma. Espero que os erros da primeira jornada sejam corrigidos e possamos terminar a segunda rodada com 4 pontos na tabela.

Saudações coloradas.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Começa a jornada!

Olá!
Após um breve hiato que englobou quase o todo o primeiro semestre de 2013, volto a escrever  aqui a respeito das expectativas para o time colorado nesse campeonato brasileiro que começa no próximo fim de semana. Claro que é muito cedo para especulações ou palpites, mas fazendo um breve comparativo com o final de 2012 estou até que bem otimista, visto que a principal deficiência do fim de 2012 parece que foi sanada: comando de vestiário. Sempre achei o Dunga injustiçado, tá certo que ele perdeu a copa da África do Sul, mas pareceu-me naquela ocasião que todo o trabalho anterior foi esquecido pelos torcedores e o capitão do tetra foi execrado por grande parte da torcida e imprensa especializada. Seu sucessor apresentou resultados muito abaixo dos dele e creio eu que o atual também não será superior. Porém a vida segue e as feridas cicatrizam e nesse ano de 2013 o torcedor colorado já tem um bom motivo para esperar um ano melhor que o que passou. Dunga vem se mostrando um profissional exigente, comprometido e tem o grupo nas mãos, sem exceção. Isso não é garantia de títulos, mas pode ser que seja um bom início ou será que ninguém se lembra de como foi a vontade do time colorado nos quatro jogos antes do derradeiro grenal do nacional passado? Pois é, penso eu que com o Dunga na casamata, se perdermos, perderemos tentando ganhar e isso é o mínimo que qualquer torcedor, independente de equipe, espera do seu time.
Dunga em pouco mais de quatro meses de trabalho já conquistou o título gaúcho, vencendo os dois turnos sem dar chance alguma para qualquer adversário, provando que com ele qualquer taça é válida, até porque pior que ganhar o estadual, é perder o estadual. Os torcedores rivais podem até desdenhar do “ruralito”, afinal o projeto de repente poderia ser mais importante, no entanto projeto não dá caneco e isso foi provado na última quinta-feira.
Estamos começando mais um campeonato brasileiro e espero que o Internacional vá em busca do título que já bate na trave há alguns anos (2005 foi garfado mesmo), afinal foi o único que não vi e seria muito importante. A torcida anseia muito por essa conquista, as outras estão ainda frescas na nossa memória e a falta do Beira-Rio esse ano pode ser substituída por esses anos todos sem ganhar a taça mais importante do país. Confio no treinador, no time e alguns reforços pontuais podem sim nos credenciar a acabar com essa longa espera. É esperar pra ver...

Saudações coloradas.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Tirando as Teias




Depois de alguns bons meses eu retorno às atividades do Blog.



A verdade é que eu fico bastante desestimulado de escrever nesse período dentre  o fim do Brasileiro e o seu recomeço, sobretudo quando o meu time não está na Libertadores. Ao contrário do que se pensa do torcedor, não faço o tipo que assiste jogos para secar. Quando vou ver um jogo no máximo é para tomar conhecimento de um eventual adversário, ou então para assistir um bom futebol. Foi o caso do jogo de volta das oitava da Libertadores, dentre Atlético-MG e São Paulo. Mas confesso que foi o único jogo que assisti na íntegra de algum clube que não o Cruzeiro nesse ano.

Não tenho dúvidas de que o Atlético Mineiro tem um bom time, talvez, sim, um dos melhores da América, com certeza o foi nesse primeiro semestre. Mas fase de grupos de Libertadores costuma enganar, para o bem ou para o mal. Me lembro bem do meu desânimo em 97, depois de conseguir o acesso com aquela maravilhosa vitória sobre o Palmeiras no estádio do nosso grande rival da década de 90, que nos valeu o título da Copa do Brasil de 96. Na Libertadores dávamos a impressão que sairíamos de forma vexatória, perdendo as três primeiras partidas! Mas o time cresceu, foi ganhando confiança e, graças sobretudo às brilhantes atuações de nosso goleiro Dida, nos sagramos campeões. Já em 2011 fizemos uma campanha ainda mais avassaladora que a do Atlético nesse ano (5 vitórias e 1 empate) apresentando um futebol que, na minha opinião, era ainda melhor. E caímos de forma vexatória logo nas oitavas para o quase irrelevante Once Caldas (que depois descobri que também eliminou o São Paulo de Cuca, em 2004).

A queda dos quatro Brasileiros nessas oitavas serviu para mostrar que essa competição não é brincadeira. Caíram como favoritos, com a exceção do São Paulo, que nunca foi favorito, apesar dos gritos da imprensa paulista. E, sendo honesto comigo mesmo, essa é a grande chance do Atlético-MG. Se eles fizerem o dever de casa e o Cuca manter a cabeça no lugar esse é o momento dos rivais alvi-negros conquistarem esse caneco. Nenhum cruzeirense quer admitir isso, mas no fundo, nos bastidores das nossas emoções, a gente sabe que as chances deles são grandes e para a maioria resta secar e torcer contra, algo que eu evito fazer! Sou da opinião que vence sempre quem merece vencer. É até meio óbvio isso, mas nesse universo complexo do futebol, merecimento em si é uma coisa tão complexa que destitui a obviedade de forma quase imediata. Mas chega de Libertadores. Vamos falar de Brasileirão.

Logo teremos a volta da competição mais importante do país, e acredito eu que todo cruzeirense está tão ansioso quanto eu. Ao contrário do que aconteceu nos dois últimos anos, hoje percebemos um trabalho de qualidade por parte de nossa diretoria, indo atrás de grades nomes do futebol no esforço de construir um dos melhores elencos do país. Pode soar arrogante fazer essa declaração, mas percebam que estou falando de um universo de 5 ou 6 times que vão disputar o título e tenho razões para acreditar que o Cruzeiro será um desses. Odeio ficar dando palpites, mas considerando esse início de ano, o fim do ano passado, acredito que veremos Atlético-MG, Fluminense, Corinthians, Cruzeiro e Grêmio disputando a ponta do campeonato, com Botafogo, São Paulo e Internacional correndo por fora. O Santos eu não sei muito o que esperar, sobretudo porque ainda não se sabe o tamanho do desmonte que irão sofrer agora no meio do ano. Aposto na saída de Neymar e torço pela vinda do Arouca, que é especulado no Cruzeiro.

Justificando a minha crença no Cruzeiro, eu aponto os nomes que compõem o nosso elenco e que eu tenho muita expectativa:

Dagoberto está em uma crescente, melhorando a cada jogo, e parece estar bem fisicamente. Nesse primeiro semestre foi, talvez, nosso jogador mais regular. Tem tudo para ser um protagonista e líder nesse time renovado do Cruzeiro.

Everton Ribeiro tem muita qualidade, mas oscila bastante, sendo que as vezes desaparece dentro de campo. Mas é nosso jogador mais habilidoso, e talvez o mais rápido. Acho que tem que treinar bastante as finalizações, pois ainda é meio fraco nesse fundamento.

Diego Souza é sempre uma incógnita. É o tipo de jogador de qualidade inquestionável, mas que passa sempre a impressão que está jogando apenas uma parcela de tudo o que sabe. Acredito que o Marcelo Oliveira, nosso técnico, tem aproveitado muito mal suas características ao escalar ele de meia ofensivo central, a posição que normalmente é destinada ao playmaker (criador de jogadas). Não é característica do Diego Souza, e ainda sofremos pela sua displicência em ajudar a recompor a marcação. Ele tinha que jogar mais perto do gol, onde poderia aproveitar melhor sua força física e boas finalizações. Isso é o que eu penso, pelo menos.

Ricardo Goulart é outro jogador que oscila bastante. Normalmente entra no lugar de Diego Souza, e nessa posição tende a dar mais velocidade ao time, sobretudo pela qualidade de seu passe. Mas chega muito bem a frente, também, e já mostrou que consegue ter explosões de velocidade quando necessário. Penso que Ricardo tem lugar no time titular, eventualmente. Tem que crescer, tentar alcançar uma maior regularidade, mas é jovem e tem muita qualidade.

Borges tem fama de ser um “jogador de uma temporada”, já que sempre chega muito bem aos times, mas apresenta uma queda significativa de qualidade na segunda temporada. Foi assim em muitos times de sua carreira. A idade relativamente avançada e a sequência de lesões mostram que não é um jogador confiável para a sequência da temporada, e penso que seus substitutos diretos deixam muito a desejar (Anselmo Ramon e Vinícius Araújo), sobretudo considerando que provavelmente terão de assumir a titularidade em muitos momentos do campeonato. Além disso Borges teve uma queda de produção nos últimos jogos.


Lucca e Martinuccio são jogadores importantes que estavam em recuperação nesse começo de ano. Mas a expectativa é grande. Martinuccio foi nosso principal jogador no final do Brasileiro passado, assegurando uma posição confortável na parte intermediaria da tabela. Já Lucca foi destaque na série B até se lesionar por um longo período. Todos sabiam que se ele retornasse com a qualidade que mostrou no antes da lesão, seria um jogador importante. Ele já se recuperou, e seu desempenho nos treinamentos já mostrou que ele pode sim se destacar no time azul estrelado. São jogadores que vão somar muito ao time, e que vão disputar vaga com Dagoberto e Everton Ribeiro, principalmente.

Temos ainda o Élber, que costuma entrar muito bem no segundo tempo quando acionado. Não sei se tem ainda cacife pra titularidade, mas é um jogador que poderá ser muito aproveitado na sequência do campeonato.

Por fora correm os reservas absolutos, que só entrarão numa eventual maré de lesões: Ananias e Luan. Acredito que a diretoria deveria ceder ao desejo de Luan e permitir seu retorno ao Palmeiras, pois acho que não terá espaço aqui. O Ananias nem deveria ter vindo, mas se aqui está que treine e se esforce para beliscar oportunidade, que seja no banco.

Nossos volantes são, talvez, os jogadores que mais geram desconfiança do torcedor. Nilton foi o mais regular, embora ainda precise melhorar alguns fundamentos. Primeiramente, esperava menas afobação por parte dele. É importante arriscar os chutes de fora da área, mas tanto se fala da qualidade do chute dele e tudo o que vi foi uma série de chutes afobados, impulsivos e desnecessários, tendo ele anotado um tento. Precisa treinar essas finalizações e, até que as tenha aprimorado, tentar jogar mais simples. Ao contrário da maioria não acho o Leandro Guerreiro de todo ruim, é um jogador razoável, mas que tem idade avançada e que, talvez, não mereça a titularidade. Deve ter uma disciplina exemplar, pois vem treinador, vai treinador, ele continua no time titular. Esperamos ansiosos pela chegada de um outro volante, de qualidade. Mas ainda temos bons nomes no elenco, como o Tinga, que tem entrado muito bem, dando velocidade ao time (apesar da idade), a nossa grande promessa, o Lucas Silva, que merecia mais oportunidade e, por fim, o lesionado Henrique, que teve complicações e deve demorar a retornar. Uma pena, pois era nosso provável titular. Essa é, com certeza, nossa posição mais carente. O Uelington não sei o que dizer, vi pouco do seu futebol e o que vi não me agradou muito.

Os laterais seguem nossa tradição dos últimos 7~8 anos. Uma boa dupla de laterais direito, um mais experiente, mas com qualidade, e uma jóia a ser lapidada e que poderá, logo logo, assumir a titularidade (Ceará e Mayke). Na esquerda temos os questionados Everton e Egídio. Ambos tem características ofensivas e qualidade nesse ofício, mas deixam muito a desejar defensivamente. Particularmente, gosto do futebol de ambos, mas concordo que sobrecarregam nossa zaga, prova disso é que a maioria dos nossos adversários jogam em cima dessa falha. Além do mais, ambos conseguiram se desgastar com a torcida com falhas graves e infantis nos dois jogos do clássico, na final. Esses fatores elevam nossa carência na lateral esquerda a um status de prioridade.


Dedé veio, para a nossa alegria, ser o xerifão nessa zaga do Cruzeiro, que, pra mim, já está muito boa. Desconsiderando algumas falhas bobas em alguns jogos, Bruno Rodrigo mostrou que tem qualidade. Mas pra mim a titularidade deveria ser do Paulão, contanto ele aprenda a ser mais cuidadoso dentro da grande área, pois não pode ficar cedendo penalidades bestas. Paulão é um jogador que cresce, que joga com a torcida, e por isso pode ser chave em jogos decisivos, como o foi no último jogo do Mineiro. Além do mais, ao contrário do que faz pensar alguns, ele não é um grosso! Pelo contrário, já mostrou que sai jogando bem e tem um passe razoável. Não sei exatamente se funcionaria essa dupla, Dedé e Paulão, mas confesso que é a ideia que mais me agrada. Na reserva, Leo e Thiago Carvalho correm por fora, mas podem entrar com relativa qualidade se exigidos. Por fim, temos a nossa grande incognita: Victorino. Muitos ainda acreditam no futebol dele, outros acham que é um enganador. Pra mim pode somar, ainda. É um zagueiro muito técnico, com muita qualidade no passe, e que se tiver seriedade pode ser sim um jogador importante. Eu recomendaria ao Marcelo Oliveira experimentar esse jogador como volante, pois suas características apontam para uma potencial qualidade nessa posição. Temos ainda o Nirley, que pra mim só servirá para compor elenco.

No gol estamos tranquilos: Fábio não é o melhor do Brasil, mas é um goleiro muito bom, um líder para esse time e seu substituto direto já mostrou que não deixa a desejar quando acionado. Particularmente eu gostaria de ver uma troca na posição. Não porque questiono a qualidade do Fábio, mas porque pelo tempo dele no clube, acho que acabou sendo um símbolo de um período pouco vitorioso do nosso time. Mas não é, de forma alguma, prioridade. Só acho que com o resto do time acertado, quando isso acontecer, talvez valha a pena repensar a posição, seja chamando alguem de fora, seja dando mais oportunidades ao Rafael. Isso seria mais no esforço de se promover uma verdadeira renovação no time. E uma renovação precisa passar pelos líderes.

Como podem ver, temos um elenco qualificado, com algumas carências pontuais. Fosse eu o Mattos, me esforçaria em trazer um volante, um lateral esquerdo e um centro-avante, caso o Marcelo Oliveira insista em ter alguem nessa posição. E que seja um centro-avante mais participativo no jogo. Eu senti muita falta de mais testes por parte do Marcelo Oliveira nesse início de temporada. Penso que o Campeonato Mineiro nos serve justamente como preparação para a sequência da temporada e é o momento ideal pra se testar variações táticas, eventual mudanças de posição de jogadores e mesmo dar sequência àqueles que precisam ser observados. Vi pouco disso, o técnico parece ter muito certo o que quer do time, e não se mostrou disposto a escalar o mesmo tendo em conta as potencialidades de cada jogador. Isso aponta pra um lógica, pelo menos é o que observo, que coloca o destino desse trabalho para o futuro. Acho, inclusive, que esse elenco do Cruzeiro foi montado em um pensamento a longo prazo, e serão necessários ajustes e mudanças pontuais de jogadores para manter o esquema do Marcelo. Ao mesmo tempo que isso me deixa contente, eu acredito que com o elenco que tempos poderiamos sim montar um time vitorioso e ir em busca dos títulos já nesse ano. Não que eles não sejam possíveis, mas a verdade é que com quase todos os times deixando a Libertadores prematuramente, é certo que entrarão com tudo no Campeonato Brasileiro, e por se tratar de grupos que não sofreram mudanças tão drásticas, penso que eles saem na frente na busca dos títulos, incluindo aqui a Copa do Brasil.


Agora, tenho de concordar com o Marcelo Oliveira em uma coisa. A atuação brilhante de nossa torcida nesse segundo jogo da final do Mineiro, tanto durante a semana quanto antes/durante/depois do jogo pode ter plantado uma semente poderosa nesse time. As declarações dos jogadores já demonstraram que eles foram tocados pelo apoio incondicional e confiança que receberam. Um amigo meu, fotógrafo, que esteve no Mineirão no dia do clássico disse que nunca havia visto um espetáculo tão bonito, e que da perspectiva de quem está no gramado a coisa toda é ainda mais impressionante, me falou ainda de como isso afetou os jogadores, da gana de vitória que eles apresentaram durante a partida. Confesso que só a descrição que ele deu desse dia me deixou bastante emocionado. Essa ressonância, se mostrando duradora, pode se tornar um poderoso trunfo para o time nesse ano. Já provamos no passado que somos capazes de carregar esse time nas costas, mas a realidade é que ficamos mal acostumados com as muitas conquistas e não aceitamos muito bem esses últimos 10 anos de seca. Mesmo porque foram 10 anos de seca, mas que tinhamos bons times disputando na ponta das competições, com as tristes exceções de 2011 e 2012.
Estou muito otimista com o futuro do Cruzeiro. Acredito que ano que vem estaremos de volta à Libertadores, de uma forma ou de outra. Claro que eu prefiro que seja com uma conquista, seja da Copa do Brasil, seja da Sulamericana ou mesmo do Campeonato Brasileiro (que eu ainda acho muito difícil conquistarmos esse ano). Agora um coisa eu tenho certeza: se a diretoria continuar com o trabalho de qualidade que estão fazendo, logo voltaremos ao protagonismo nas competições nacionais e internacionais, nosso lugar de direito, ao qual estamos acostumado.

Estamos todos saudosos com os tantos gritos de campeão, mas eu sinto que existe, hoje, uma grande confiança que não vai demorar pra gente voltar a gritar!




domingo, 16 de dezembro de 2012

Por um liga mais justa!

Hoje o Corinthians tornou-se bi-campeão mundial. Muitos vão arguir que esse, na verdade, é o primeiro título, já que o do ano 2000 não deveria ser considerado. Nessa linha de raciocínio fica difícil dizer quais títulos são ou não válidos. Afinal, recentemente a CBF promoveu a unificação dos títulos nacionais pré-campeonato de 71, e até hoje se discute se devemos ou não considerar esses títulos. A história toda é uma grande bobagem, afinal para todo torcedor o título conquistado pelo seu time é válido enquanto o certo é que todos os rivais vão questioná-lo. "Vocês venceram porque foi contra o Chelsea, se fosse o Barcelona teriam perdido", muita gente diz. Será? Afinal, o próprio Chelsea venceu o time mais badalado do mundo, que foi justamente o que o levou ao mundial. Enfim, a Fifa diz que o Corinthians é bi-campeão, a CBF diz que o Corinthians é bi-campeão, quem sou eu pra contestar, então?

Mas aí muitos vão vir dizer: "mas a CBF favorece demais o Corinthians, é claro que vão dizer que são campeões". Pois é, isso é bem verdade. Os caras deram um título para eles em 2005, tentaram dar outro título para eles em 2010 (que, ainda assim, foram incapazes de ganhar), deram um estádio para eles e, agora, estão dando um patrocínio milionário vindo de um órgão público. Há de se destacar aqui que a Caixa é, na verdade, uma empresa pública, com patrimônio próprio e autonomia administrativa. Hoje eu afirmo que os dois maiores clubes do país encontram-se em São Paulo. E eu afirmo isso tendo por critérios uma série de fatores: torcida, títulos, estrutura e, mais importante, poder econômico. São Paulo e Corinthians são os clubes de maior sucesso nos últimos 10 anos, tendo vencido todos os títulos importantes que disputam. Não adianta chiar, todos os outros clubes do país correm por fora. Temos, obviamente, outros times que conseguem figurar bons trabalhos, como o Cruzeiro que em 2009 e 2010 chegou bem nas duas principais competições que disputa, o Inter que vencer a Libertadores de 2010 e o Santos, que venceu a Libertadores em 2011. Temos ainda o Fluminense, que conquistou dois brasileiros nos últimos 3 anos, time que tornou-se poderoso graças a parceria com a Unimed, que o permite disputar de igual pra igual com os dois paulistas. O Atlético ensaia um ressurgimento no cenário, mas vamos acompanhar pra ver se o trabalho feito em 2012 se repetirá em 2013 e, mais importante, se renderá frutos à torcida alvinegra.

A hegemonia do eixo atingiu o seu ápice, embora a tendência é que piore nos próximos anos. Digo isso porque com o golpe aplicado sobre o Clube dos 13 em 2011 passamos a ver uma situação aterradora no cenário futebolístico nacional: os clubes passaram a negociar individualmente os valores de cotas televisivas. Sabe em que outro lugar do mundo isso acontece? Na Espanha. Isso mesmo, naquele país onde a liga principal de futebol é disputada por dois time hegemônicos. O interessante é notar que, ali, os valores totais recebidos são menores que em outras ligas europeias, incluindo a francesa. Os dados que tenho aqui são de 2010, mas acredito que são suficientes pra vocês terem uma ideia do que estou falando.



                             

Como pode ser percebido, na Espanha os dois clubes hegemônicos recebem um valor mais do que três vezes maior do que o do terceiro colocado. Uma disparidade assustadora. Nas outras três ligas apresentadas a diferença do time que recebe mais não é tão maior assim do que a do time que recebe menos. No caso da Inglaterra, que para mim é o modelo de gestão de liga mais interessante, o primeiro clube não chega a ganhar o dobro do último clube. Mas o que, então, permite que essa distribuição seja feita de forma mais justa? Antes de responder essa pergunta faço um convite para analisarmos a situação atual das cotas televisivas no Brasil, como visto no gráfico a baixo:



Esses valores dizem respeito, justamente, ao momento de transição, quando os clubes passaram a negociar individualmente com a Globo. Até então podíamos ver uma distribuição mais igualitária, onde o Corinthians, time que recebe os maiores valores, não chegava a receber o dobro do Atlético Mineiro. Atualmente o Corinthians recebe trêz vezes mais que o Atlético. Notem que estou aqui mostrando apenas 10 dos 20 clubes Brasileiros, lembrando que os times menores, aqueles que recentemente sofreram o acesso a primeira divisão, recebem valores ainda mais desiguais. É assustadora a nossa situação, embora não chegue ainda no nível da vergonhosa Liga Espanhola.

Mas, diante desse cenário aterrador, onde seremos obrigados, provavelmente, a assistir nossos times se tornarem meros coadjuvantes, será que podemos pensar em alternativas? É claro que sim! Os times brasileiros que são desfavorecidos nessa história toda contam com um número de torcedores considerável e, juntos, conseguem sim fazer frente aos times mais favorecidos. Não acho que isso vá acontecer, sobretudo porque tenho a impressão que a burra rivalidade regional que vemos por aí impede que os times operem em conjunto por uma causa comum. Mas se os dirigentes conseguissem se organizar politicamente eles poderiam começar a fomentar uma liga privada, aos moldes da Premier League. Para quem não sabe, a Premier League é uma corporação, ou seja, ela rompe com o modelo federativo que vemos hoje no Brasil.

Na Liga Inglesa os valores de cotas são distribuídos da seguinte maneira: 70% dos valores são divididos igualmente dentre todos os acionistas (acionistas são os 20 clubes que encontram-se na série A). 15% dos valores são divididos de acordo com a audiência atraída pelos clubes. Por fim, os últimos 15% são distribuídos de acordo com a performance do clube na última competição. Ou seja, o último campeão receberá valores maiores que os últimos colocados dessa fatia (15%). Isso permite uma distribuição mais justa e que ainda opera meritocraticamente. Estamos aqui falando do modelo mais bem sucedido do mundo, que rende o maior número de vagas para a UEFA Champions League, além dos valores mais altos de cotas televisivas do mundo, quase 4 vezes maiores que o segundo colocado. É óbvio que existe disparidade na Liga Inglesa, com uma supremacia assustadora do Manchester United, com os clubes pertencentes a milionários correndo por fora, vencendo um ou outros título ao longo dos anos. Mas essa desigualdade é fruto de patrocínios, modelos mais eficientes de gestão e, se vocês acompanham a Liga Inglesa sabem do que estou falando, merecimento. Afinal, o Manchester é o time de futebol mais poderoso do mundo, sendo equipe esportiva mais valiosa do mundo. Mas mesmo o interesse de bilionários na Premier League é fruto do campeonato de qualidade que eles possuem lá, que tem visibilidade internacional.

Imaginem o seguinte cenário: os dirigentes de Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio e Inter se reúnem para discutir o futuro do esporte do país. Eles decidem, então, romper com a CBF e abandonar o Campeonato Brasileiro de Futebol. Partindo disso eles criam uma Liga Privada, nos moldes da Premier League, convidando outros clubes interessados a integrarem. Eles podem aliciar outros times que tenham interesse nisso, como os clubes do Nordeste e de outros clubes do sul. Mesmo clubes Cariocas e Paulistas, que também são desfavorecidos, como a Portuguesa, Ponte Preta e Botafogo poderiam se interessar. Assim teríamos dois campeonatos, esse, disputador por Corinthians, Flamengo, São Paulo, Palmeiras, Vasco, Fluminense e Santos, e um outros, disputado pelos outros grandes clubes, que poderia negociar os valores de cota com outras emissoras. E isso assumindo que os grandes de Rio e São Paulo não iriam se interessar em integrar a liga privada! Tenho quase certeza que o São Paulo, ao menos, mostraria interesse, tendo em vista que eles vivem tendo conflitos com a CBF. Tenho certeza que eventualmente os outros times se interessariam em integrar essa liga ou, ao menos, isso levaria a Globo a negociar de forma mais justa com os outros clubes. Uma coisa eu afirmo, com absoluta certeza. Se os times de Rio e São Paulo são favorecidos, saibam que os dirigentes dos times que torcemos são coniventes, pois existem sim alternativas ao modelo vigente de distribuição e regulamentação das ligas nacionais. Isso sem contar que em uma estrutura corporativa os clubes teriam poderes equivalentes no que tange as decisões referentes ao campeonato, como calendário, arbitragem e etc, o que dificultaria enormemente os esquemas de corrupção que acreditamos que aconteçam aqui. Eu não me lembro de histórias de esquema de arbitragem na Inglaterra...



Para saber mais:






sábado, 8 de dezembro de 2012

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Fim de Temporada

E mais uma temporada chega ao fim no Brasil, com dois times Fora do Eixo chegando em boas posições no campeonato: segundo e terceiro lugar, mas novamente assistindo um time carioca vencer em meio a polêmicas envolvendo a arbitragem. Ano que vem nos representarão na Libertadores e, nesse sentido, vejo o Grêmio com mais chances de fazer uma boa competição, ainda que o time do Atlético seja melhor (e deve melhorar ainda mais com as gastanças desenfreadas do Kalil). Grêmio tem tradição de time copeiro, embora  viva um hiato considerável, tendo vencido sua última competição importante em 2001 (a Copa do Brasil). Sua bi-libertadores e seu mundial, entretanto, mostra que é um time de tradição, travando, inclusive, grandes duelos contra meu time (dos que eu assisti, vencemos todos, no final das contas). Já o Atlético Mineiro nunca sequer chegou a uma final de Libertadores. O Corinthians esse ano, entretanto, provou que não existe essa de tabus imbatíveis. Mas não é só por conta de tradição que diminuo as chances do Galo.

O maior problema é o Cuca.

O cara é bom, acho que o técnico que monta times que jogam mais bonito no país. Eu sei porque ele nos treinava até outro dia, e o Cruzeiro também foi vice-campeão brasileiro em 2010, disputando o título também contra o Fluminense até a última rodada. No ano seguinte, o passado, começamos a temporada sendo chamados de "Barcelona das Américas", e com razão. O futebol do Cruzeiro era plástico, eficiente, veloz e gostoso de se assistir. Mas, ao mesmo tempo, era muito dependente de um esquema muito específico, que centralizava o Montillo como armador que chegava conduzindo a bola com velocidade e assistia Wallyson e Thiago Ribeiro, que caiam pelas ponta, entrando com perigo na grande área e agredindo o gol adversário. Nesse sentido, era essencial o papel do Roger desafogando a marcação no Montillo ao auxiliar com qualidade as armações de jogada. Lindo, perfeito! Mas, e as peças de reposição? Nossos reservas ofensivos eram o Farías e o Ortigoza, que são jogadores que jogam mais centralizado dentro da área. Para o meio, não tínhamos quem substituísse o Roger, que era um jogador muito irregular. O máximo que podíamos fazer era deslocar o Gilberto de volta ao meio, mas aí perdíamos o nosso único lateral esquerdo de qualidade (que já havia ido pra posição contra sua vontade). Deu no que deu: depois de uma grande primeira fase caímos nas oitavas para o Once Caldas de forma vexatória! Cuca não testou variações táticas o suficiente e não estava preparado para as mudanças forçadas por lesões. E aí é que mora minha opinião sobre o técnico. Ele não constrói grandes variações táticas para seus times, que acabam ficando manjados.

No caso do Galo acho que a grande carência do time nessa reta final foi o Danilinho. Ele tinha um papel fundamental no estilo de jogo do Atlético, um valor tático que não era encontrado em seus substitutos. Posso estar redondamente enganado, é claro, mas tenho a impressão que depois de um tempo ficou fácil para os adversários derrubarem o estilo ofensivo do Galo que, então, passava a apelar nas jogadas de bola parada, já que possui dois zagueiros altos que sabem fazer gols. Aliás, uma carência óbvia do time é o de um centro-avante matador. O Jô faz esse tal de pivô que passaram a falar esse ano. Mas faz o pivô pra quem? Não vejo jogadores do time chegando pelas pontas com tanta qualidade na finalização. O garoto Bernard é um grande jogador, sem dúvidas a revelação do campeonato, mas não o vejo como um grande finalizador. Acho que uma análise mais acertada dependeria de mais estudo e minha disposição para estudar os números do Atlético não são as maiores, deixo isso pro Bruno, caso ele se interesse. O meu ponto é que ainda falta um certo pragmatismo por parte do Cuca para ele se tornar um técnico campeão. É uma merda esse tal de "futebol resultado" que se fala hoje em dia. Ele é enfadonho e chato de se assistir. Mas as vezes ele é necessário, sobretudo quando encontram carências no elenco.

Espero melhor sorte pro Cuca esse ano, é sem dúvida um bom técnico, mas que carece daquele algo a mais para ser campeão. Ao menos o Kalil tá dando boas condições de trabalho pro cara, incluindo um longo tempo de trabalho, para aplicação de sua filosofia.


Para o Cruzeiro, vejo o ano de 2013 como uma grande oportunidade de recomeçar o caminho das vitórias. Esse ano acho que não dava para esperar muito mais do time azul-celeste, dado a mudança na gestão do clube, que vinha de uma longa dinastia pouco transparente. O resultado é que pouco sabemos a que pé o Dr. Gilvan recebeu a equipe e por isso é muito difícil julgar seu trabalho. Não vejo, entretanto, a nona posição com maus olhos. Disputando Copa do Braisl, Sulamericana e Brasileiro vejo muitas oportunidades do Cruzeiro conseguir voltar a seu lugar de direito em 2014: a Libertadores, que já estamos tão acostumado a disputar. Embora esse fim de ano já não seja assim tão promissor.

A chegada do Marcelo Oliveira como técnico cria uma certa tensão. Apostar em seu profissionalismo para esquecer de seu passado no rival é preciso, pois se ele for recebido dessa maneira, seu trabalho estará fadado ao fracasso. O que me espanta é que o Galo recebeu tanta gente daqui nos últimos anos, e muitos foram muito acertados, como nosso ex-Capitão Leo Silva, nosso ex-técnico Cuca e mesmo o Eduardo Maluf, que eu sempre achei que era um braço direito do Zezé. Eles o receberam, e essa figuras mostraram serviço por lá. Porque não esperar o mesmo do MO? É clar que sua história com o Atlético é muito mais intensa, mas ainda assim me parece que ele vai querer fazer o melhor trabalho possível, já que sua carreira profissional dependerá disso. Ele deve enxergar essa vinda ao Cruzeiro como uma oportunidade de adicionar títulos de importância ao seu currículo, já que isso ainda lhe falta, independente de seu bom trabalho no Coritiba. Minha opinião, nesse caso, é que a diretoria não foi feliz em sua contratação, sobretudo porque não escutou sua torcida que o rejeitava em massa. Além do mais existiam nomes mais poderosos no mercado, e o Cruzeiro precisa de contratar. Técnicos de renome são essenciais para que um clube consiga fazer grandes contratações e meu medo é que a vinda do MO dite a lógica das contratações, que não serão do peso que esperávamos.




Essa situação toda me fez lembrar da chegada do Waldemar ao Flamengo, em 2006:

                                

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Último Espetáculo


Na última semana houve um rebuliço no estado do Rio Grande do Sul por conta da última sessão debaixo das lonas do Olímpico. Chamadas para o público, homenagens, emoção e promessa de uma grande tarde.
Chegada e tão esperada hora, na tarde deste último domingo, vimos um espetáculo bem diferente do esperado. Dois elencos de primeira grandeza e um público digno de tamanho estardalhaço.
Vimos de tudo que deve estar presente num espetáculo circense, começando pelo anão, representado pelo comandante tricolor que se apequenou e colocou um time com um avante  apenas. Tivemos a defesa colorada com extrema habilidade, sempre no limite, digna de um exímio equilibrista. D’alessandro segurando a bola com movimentos que podem ser comparados a um ás do trapézio. Guiñazu com a coragem e ousadia de um domador. Muriel e Renan que fizeram malabarismo para impedir o tento tão esperado pelos tricolores, tentado até mesmo com um lance de acrobata de Zé Roberto. Faltou o mágico? Não, o time de vermelho fez a mágica de segurar heroicamente o resultado mesmo com dois componentes a menos e fazer a alegria da minoria dos espectadores presentes no picadeiro adversário.
Vocês devem estar se perguntando, mas que espetáculo é esse sem os mais esperados comediantes de cara pintada? Eles estiveram presentes sim e era a esmagadora maioria. Afinal faz tempo que os torcedores do tradicional rival da Azenha são feitos de palhaços por um time que sempre fica no quase, fazendo até mesmo que eles se conformem com tão pouco. A imortalidade tão propagada pelas bandas de lá serve como a maquiagem para esconder a escassez de conquistas dos últimos anos. Novamente isso ficou nítido ao perderem, no descer das lonas, a vaga direta para a grande turnê sul-americana, visto que se quiserem figurar nela, vão ter que fazer ao menos mais duas audições.
Ao fim de tudo o respeitável público colorado saiu feliz com a apresentação dos seus artistas, que puderam, ao apagar das luzes de 2012, mostrar ao menos que são dignos de continuar fazendo parte da companhia.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Grenal Melancólico


Minha primeira contribuição com esse blog será em tom de melancolia. Melancolia essa, que nessa segunda metade de 2012 assolou a mim e toda torcida do Internacional. Tivemos erros que comprometeram o desempenho da equipe dentro de campo e veremos, depois de muito tempo, o ano ser encerrado apenas com a conquista do campeonato estadual e com uma campanha a ser esquecida no nacional.
A direção colorada errou no seu planejamento ao não perceber que os profissionais do departamento médico e da preparação física estão muito aquém do que o clube precisa para ser competitivo, disputando títulos ou ao menos as primeiras colocações. Foram lesões em cima de lesões, vários jogadores importantes com um longo e inexplicável tempo de recuperação, e retornos mal calculados que resultaram em mais um período longe dos gramados.  Outro erro atenuante foi a contratação de estrangeiros acima do limite conhecido, mesmo sabendo que não poderiam ao menos ficar no banco e que dois sempre sobrariam.  Algumas contratações equivocadas também podem ser responsabilizadas pela fraca campanha colorada nesse campeonato, não preciso citar nomes, a torcida já sabe de quem se trata.
Ao longo da competição não posso negar que as convocações também prejudicaram a equipe, caso que o campeão só pôde sentir após ter garantido o título. Quanto ao comando técnico dois erros: o primeiro da direção ao supor que o capitão das maiores conquistas, sem ter experiência nenhuma no cargo, pudesse dar resultado e o segundo do próprio capitão, ao se deixar convencer por tal teoria e ter aceitado a missão. Por fim, a eleição para presidente que ficou na cláusula de barreira sem que o conselho pudesse verificar a vontade dos sócios.
Ontem aconteceu o último jogo no Gigante antes da reforma e foi uma triste despedida. Placar de 2x0 para o visitante, score que só serviu para ao menos manter a simpática Portuguesa na primeira divisão do ano que vem. O time colorado pela quarta vez consecutiva jogou com uma vontade semelhante a que eu teria de ir a um show do Latino. Sem gana, sem raça, sem o ímpeto da vitória e saiu de campo ao som de merecidas vaias da torcida.
Resta-nos ainda nesse esquecível ano de 2012 um último alento, que é vencer o derradeiro encontro com o rival no estádio da Azenha, estádio esse que já serviu de palco para muitos triunfos vermelhos, inclusive o que decretou a última volta olímpica que seria dada nos seus domínios. Claro, que pelo momento dos times, os que vestem tricolor são favoritos, mas sempre fica uma chama de esperança, que pelo menos nesse último embate do ano nossos jogadores queiram ficar na história do futebol gaúcho, como aqueles que ficaram no primeiro Grenal do Olímpico, um sonoro 6x2 a favor do Inter, que queiram ao menos nos dar esse gosto. Qualquer um pode vencer esse clássico, mas o que desejo é que se por ventura formos superados, que pelo menos seja mostrada a torcida, vontade de vencer, coisa que há quatro fins- de –semana não se vê no Beira-Rio. Que venha o clássico e que venha logo 2013.

Clássico é clássico, e vice-versa



A famosa frase dita por Jardel, ex-atacante do tricolor gaúcho, pode parecer idiota a princípio, mas eu ainda acho que é a que melhor resume o sentimento evocado por esse tipo de jogo. Tem aquela história: em clássico não tem favorito. Mas não sei se concordo, é claro que sempre existe favoritismo, afinal dificilmente vemos os grandes rivais jogarem uma competição em pé de igualdade. Mas existe, pra mim, algo que transcende a qualidade técnica em um clássico, algo fomentado pela rivalidade e que traz uma imprevisibilidade ainda maior a essas partidas, superior àquela inerente ao esporte.


Para esse ano vemos uma situação interessante, já que Grêmio e Atlético Mineiro chegam à última rodada com um objetivo muito claro: o vice-campeonato. Depois que o Corinthians perdeu para o Tolima na pré-Libertadores passaram a temer essa pré-fase, que antes era apenas uma viagem a passeio dos times brasileiros, em situação análoga às primeiras fases da Copa do Brasil - pelo menos do jeito que era antes, já que para o ano que vem o regulamento foi alterado. Enfim, a questão é que os dois times vão chegar motivados para a última partida do ano e encontrarão, do outro lado, dois adversários em situações muito parecidas.


Eu não sei ao certo como foi o ano do Inter, como tem reagido sua torcida ao mal momento do time. Aqui em Minas, a torcida não está nem um pouco satisfeita com as pífias atuações do Cruzeiro nos últimos dois anos, embora para um torcedor mais astuto e atento fique claro que esse é um reflexo direto da transição da diretoria, ainda que uns arguam que não ocorreu uma mudança real (já que o Gilvan é um velho aliado dos Perrelas). Mas, ainda assim, a saída do Zezé parece ter deixado algumas coisas a serem acertadas e o novo presidente já promete um ano melhor em 2013. Aliás, para Inter e Cruzeiro me parece que o sentimento é esse: olhos voltados para o ano que vem. Os dois times ocupam a oitava e nona colocação da competição, e uma vitória ou derrota não fará muita diferença no final das contas. Ou seja, faz parecer que chegarão desmotivados para a partida.


Criticar a CBF parece que é algo que une todo torcedor brasileiro. Dificilmente você encontrará um deles abrindo a boca para falar bem da instituição. E eles estão coberto de razão, é uma federação atrasada, corrupta e pouco transparente. Mas tem de se falar também quando fazem algo acertado, mesmo quando trata-se do óbvio e ululante, que já era apontado por todos: colocar os clássicos na última rodada faz desse jogo muito mais interessante, uma grande forma de fechar o ano para a maior parte dos times. Ano passado, por exemplo, tivemos aquela possibilidade do Cruzeiro ser derrubado para a série B pelo rival - que levaram um chocolate de 6 a 1! São situações que só acontecem em clássicos mesmo.


Embora eu veja um claro favoritismo para Grêmio e Atlético nas partidas desse fim de semana, sei que não existe nada definido - é como se diz, só se resolve dentre as quatro linhas. E se na tabela estão em situações semelhantes, a realidade é que vejo o Inter em uma situação pior do que a do Cruzeiro nesse último jogo. Enquanto a equipe azul celeste vem em uma boa sequência, de 3 vitórias, o Inter já acumula 4 derrotas seguidas, troca de técnico e grande insatifação de sua torcida. Aqui em Minas, entretanto, o Clássico será com torcida única, como tem sido nos últimos anos, embora esse trunfo tenha se provado um presente de grego.


Acho pouco provável que os torcedores de outros estados, sobretudo de Rio e São Paulo, entendam a magnitude desses clássicos em Minas e Rio Grande do Sul, sobretudo em suas capitais. Tendo somente esse dois grandes times, com as torcidas polarizadas dentre eles, a rivalidade é intesa e esses jogos se tornam assunto de toda a semana que os antecede. É um bom clima, de ansiedade, porque independente de quão bem vai o seu time, no fundo a gente sabe que qualquer coisa pode acontecer. Pra mim os clássicos são campeonatos a parte e há de se desconsiderar a tabela quando eles acontecem.


Tem também a violência, infelizmente ela é uma constante e uma certeza nessas ocasiões. Cabe ao poder público, por hora, se preparar para isso. Quisera eu poder jogar essa responsabilidade para o torcedor, e eu acho que nesse caso não é uma questão simples de educação pública, como as pessoas costumam relacionar a maioria dos problemas do país (e com razão). Vou voltar a falar disso em breve, mas é um assunto que preciso pesquisar com mais cuidado, se quiser abordar-lo da forma que desejo.


Meus palpites:


Atlético Mineiro x Cruzeiro: Vitória do atlético, embora não vá ser nada fácil. 2 x 1, com gol de desempate no final para euforia da torcida mais chata de Belo Horizonte.


Grêmio x Internacional: Vitória tricolor, tranquila. 2 x 0.


Relembrar é viver

sábado, 24 de novembro de 2012

Curtinhas [1]


"Mamei na Parmalat,
Cresci e fiquei forte,
Meu nome é Palmeiras,
Sou um Guarani com Sorte"

O Eixo [Parte 02] - Os Aspectos Culturais






Futebol é uma paixão nacional. Acho que ninguém aqui duvida disso. É claro que existem pessoas que não gostam do esporte, mas é parte do cotidiano do brasileiro as conversas de botecos sobre a rodada anterior do Campeonato Brasileiro. E um fator que tempera essas discussões é a rivalidade. Ela é ferrenha aqui no país, caso de briga e morte as vezes, mostrando que a gente realmente não tem lá muito controle de nossas paixões. Freud já dizia que os mecanismos de recalque e repressão são consideravelmente reduzidos nos fenômenos de grupo e sabemos que, no caso do futebol, isso é especialmente verdade quando pensamos nas torcidas organizadas, por exemplo.

E aí é que entra a minha maior ressalva em relação ao esporte: torcedores de futebol são quase que essencialmente preconceituosos. Parece que qualquer coisa vale no esforço de provocar o rival, e todos acreditam que possuem uma espécie de carta branca para falar quaisquer tipo de asneiras quando estão em uma discussão com um rival, ou pretendem provocá-lo.  Isso dentro e fora de campo. Tivemos, é claro, uma longa e intensa campanha para tentar banir o racismo do futebol, que continua ainda muito presente, sobretudo na Europa. Mas, ao mesmo tempo, a maior parte da torcida brasileira condena esse tipo de atitude, sobretudo tendo em vista que racismo é um crime previsto por lei. Incrível como as pessoas só realmente encaram um ato como condenável uma vez que a lei o recrimina. É como se a moral fosse ditada pela lei, e não o contrário. Digo isso porque esse é o maior argumento usado pelos torcedores quando eu questiono a forte homofobia presente dentre as torcidas de futebol. Não existe uma única que salve nesse quesito.

Em 2009, quando Cruzeiro e Grêmio se enfrentaram pelas semi-finais da Libertadores, Elicarlos acusou o atacante argentino Maxi Lópes de racismo. Duas coisas me assustaram bastante na ocasião: a resposta das duas torcidas. Destaco aqui que eu acompanhei a repercussão pela maior comunidade dos dois times no Orkut, e deixo claro que eu sei que esse não é o pensamento de toda a torcida dos dois times. Mas o que aconteceu é que eu vi a maior parte da torcida gremista apoiando o argentino, fazendo declarações racistas das mais graves. A torcida do Cruzeiro se enfureceu com a  atitude do argentino e, ainda mais, com o apoio da torcida gremista. E a resposta, por mais assustador que seja, foi também o preconceito. Só que, no caso, a homofobia. O problema é que não foi assustador pra ninguém, só pra mim. Quando fui pontuar isso, que não fazia sentido responder a violência verbal com violência verbal fui execrado no forum. E o argumento mais comum: homofobia não é crime! Fiquei chocado quando percebi que não tinham meios para apelar à razão, pois na mentalidade de todos ali homofobia era uma coisa aceitável e até mesmo encorajado no meio futebolístico. Pergunto aqui: que torcedor aceitaria ter um jogador gay em seu time?


                                     Em 2009, Elicarlos acusou Maxi Lopes de racismo na Libertadores


Todas as torcidas tratam as rivais por apelidos homofóbicos. Cruzeirenses são marias, Atleticanos são frangas, São Paulinos são bambis e por aí vai. Obviamente, é algo que tempera a rivalidade, já que ser tratado pelo gênero feminino é a maior ofensa possível para o torcedor de futebol comum. Mas deveria? Outro dia eu, como cruzeirense que sou fiquei refletindo sobre a razão de ser incomodado de ser chamado de Maria. Será que por me sentir ofendido o sexista da situação era eu? A resposta é... sim! Não deveria me envergonhar de ser chamado assim. Maria é o nome de minha mãe, da minha avó e até mesmo da minha chefe! É um nome de grande importância bíblica, e em um país majoritariamente católico ser chamado assim deveria ser uma honra e não um desaforo. Obviamente que continuarei me incomodando, mesmo porque eu sei que não estou sendo celebrado quando me chamam assim. Mas qual é, de verdade, o problema de ser tratado pelo gênero feminino e porque insistimos nisso? Ora, o motivo é óbvio: mulher não gosta de futebol. O esporte é jogo pra macho. Lembro das peladas (oh, wait!) que jogávamos quando eu era moleque. Quando um cara reclamava de uma falta mais dura já vinha um dizer: "Futebol é jogo pra homem, não aguenta vai brincar de boneca!". Realmente a prática do esporte é mais comum dentre pessoas do sexo masculino. Mas e quanto a torcida? A torcida de uma mulher vale menos do que a torcida de um homem? Quando você aponta no dedo de seu rival e chama ele de Maria você está afirmando isso!

Recentemente uma grande comoção foi criada na Alemanha quando um jogador confessou, de forma anônima, que era gay. Ele foi encorajado pela, pasmem, chanceler alemã a se revelar, que afirmou que o jogador "vive num país em que não tem motivos para recear um `outing", e nós só podemos dizer-lhe que não precisa de ter medo". Recebeu apoio, ainda, do presidente do Bayern de Munique, principal time do pais. Ainda assim, preferiu não se revelar por medo de represálias.

Mais grave ainda é a história do inglês Justin Fashanu, que jogou em times como Norwich City, Nottingham Forest e Manchester City. Ele é o único jogador internacionalmente conhecido por ter assumido ser homossexual durante a carreira profissional e o resultado não foi anda encorajador. Ele sofreu tantas ofensas vindas da arquibancada que acabou cometendo suicídio em 1998, aos 37 anos.

Sua carta de suicídio dizia:

"Me dei conta de que eu havia sido condenado. Não quero mais ser uma vergonha para meus amigos e minha família. (...) Espero que Jesus me dê boas vindas e que eu finalmente encontre a paz."



Esse é um tema que me interessa bastante. Desde 2009 que decidi, nesse episódio do Elicarlos e com a resposta homofóbica da torcida de meu time, ser mais incisivo nas discussões sobre futebol quando declarações homofóbicas aparecessem. Muitas vezes fui tachado de chato, politicamente correto e outras coisas piores por conta disso, mas é uma espécie de missão pessoal que quem já discutiu futebol comigo deve saber que possuo. Exatamente por isso eu devo voltar a esse tópico novamente, em u futuro próximo. Pensar fora do eixo é ser crítico com as posturas preconceituosas da grande maioria dos torcedores de futebol. Estar fora do eixo é abrir mão de continuar repetindo os comportamento cruéis e irrefletidos encorajados pela mídia e elite brasileira. Derrubar o eixo, algum dia, só será possível se pararmos de emitir respostas tão primitivas quando nossas paixões estão envolvidas. Torcer não exige que você deixe seu cérebro de lado, que pare de pensar e que dê vazão ao ódio e preconceito reprimido. Unir-se em grupos enormes e permitir o ódio ao diferente aflorar já aconteceu em outros contextos, e os resultados nunca foram dos melhores.

Fontes:
http://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/libertadores/ultimas-noticias/2009/06/25/ult7249u369.jhtm
http://www.ojogo.pt/Futebol/interior.aspx?content_id=2768436
http://esporte.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2011/08/29/jogadores-gays-nao-deveriam-se-revelar-diz-capitao-alemao-lahm.jhtm